Etapa 3 – Cocriação da metodologia nos territórios
A criação do Mapa Sistêmico serviu como base para o desenvolvimento de vivências da pesquisa-ação em dois territórios brasileiros: Soledade, no Rio Grande do Sul, e Conceição da Barra, no Espírito Santo.
Apesar de contarem com similaridades, cada localidade possui características únicas, que deveriam ser consideradas na definição do caminho a ser construído e experimentado na pesquisa-ação nos municípios.
“Os momentos de escuta e diálogo são fundamentais. Então, isso fica como um aprendizado para nós, essa valorização da identidade, da bagagem cultural que o estudante traz, pois, a partir dali, ele vai ter esse pertencimento. […] Ou seja, é preciso realmente olhar para os sujeitos, para a sua territorialidade.”
Everaldo Silveira, coordenador pedagógico da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) José de Anchieta, de Soledade
Desde os diálogos iniciais com cada uma das cidades até a chegada da equipe de pesquisa-ação aos territórios, o processo buscou assegurar momentos participativos e de escuta, nos quais o levantamento das principais demandas e desafios locais se encontrava sempre com o desenho das possibilidades para endereçar tais questões.
A partir dessa perspectiva dialógica, Soledade atuou na construção de seu próprio Mapa Sistêmico, enquanto Conceição da Barra passou por um processo de letramento racial e de gênero, resultando na elaboração de um protocolo de prevenção e enfrentamento ao racismo e sexismo na rede de ensino.
“A maior dica que a gente pode dar para outras redes é realmente o envolvimento intersetorial na construção e na elaboração dos protocolos e, principalmente, a escuta dos estudantes, pois eles têm muito a nos dizer. Estar no território, no chão da escola, diz muito para nós também. Então, essa reflexão coletiva é o maior ensinamento porque não vai caracterizar algo imposto pela Secretaria de Educação, mas uma construção coletiva de um conhecimento a partir da escuta dos meninos e meninas, da gestão escolar e de todos aqueles que fazem Educação.”
Náudima Xavier Batista, coordenadora da Comissão Permanente de Estudos Afro-brasileiros (CEAFRO) de Conceição da Barra