Para cumprir com sua função social, a escola, na concepção da Educação Integral Antirracista, precisa funcionar como um espaço de pesquisa que envolva corpo docente, estudantes e comunidade. É na investigação da realidade que estudantes terão a oportunidade de construir aprendizagens significativas, estabelecendo relações entre suas experiências e o conhecimento acumulado socialmente.
Uma escola que pesquisa é uma escola profundamente conectada com seu território e sua comunidade escolar, pois reconhece que é por meio da leitura da realidade vivida que emergem as principais pistas para parte do trabalho a ser desenvolvido com crianças, adolescentes e adultos, estudantes e educadores. Parte do currículo e também da metodologia precisarão ser desenvolvidos em diálogo com as questões observadas na comunidade escolar e em seu território. Por isso, uma escola que pesquisa é formada por educadoras e educadores a quem a reflexão sobre a própria prática se renova e permanece viva, portanto, é uma escola em que os espaços de estudo, reflexão e planejamento são instigantes e orientadores do corpo docente.
Só uma escola em que o corpo docente é estimulado a construir conhecimento a partir da sua prática pedagógica, tendo reconhecida a sua autoria, poderá criar contextos férteis para a investigação por parte de seus e suas estudantes. Só uma escola que pesquisa poderá ser capaz de reconhecer a singularidade de seus estudantes, tema de outra alavanca do Mapa Sistêmico.
Mas sabemos que são imensos os desafios impostos à difusão dessas práticas e dessa escola pesquisadora. Parte deles dizem respeito ao modo como estão estruturadas as experiências de formação inicial e também continuada, ainda muito pouco voltadas para o trabalho autoral, investigativo e também coletivo dos profissionais da Educação. O trabalho de educadoras e educadores em suas salas de aula reais, com seus grupos de estudantes, não é visto como um trabalho de pesquisa e de construção de conhecimento, mas, no máximo, como uma boa oportunidade de aplicação de pesquisas, feitas por outros profissionais. E, infelizmente, têm sido cada vez mais frequentes as tentativas de delimitar o trabalho docente à reprodução de orientações prontas, nas plataformas digitais.
Os dois ciclos sugeridos para a “Instituição da escola como centro de pesquisa” procuram fazer frente a essa tendência, contribuindo com os coletivos de profissionais da Educação a envolverem-se com a pesquisa da própria prática e a criação ou fortalecimento dos contextos de pesquisa dentro da escola, assim como a mapear e demandar as condições básicas para a atuação dos educadores e educadoras nas suas comunidades escolares.