A crise que escolas e redes de ensino enfrentaram ao longo da pandemia de Covid-19 evidenciou que não é possível alcançar o Direito à Educação quando os demais direitos sociais não estão garantidos. Ao expor e aprofundar desigualdades históricas, essa crise revelou que as trajetórias educacionais de crianças e adolescentes estão profundamente conectadas às suas condições de vida, aos territórios onde vivem e às redes de proteção e cuidado que os cercam.
Diante do cenário de incertezas, questões centrais emergiram: Quais são as contribuições da Educação Integral nesse novo contexto? Como construir respostas educacionais capazes de enfrentar desafios tão complexos e interdependentes? Como tecer novos sentidos para o que denominamos escola? E quais caminhos podem contribuir para transformar, de forma duradoura, as estruturas que produzem desigualdades na educação?
Foi a partir dessas inquietações que nasceu a pesquisa-ação Territórios Educativos e Educação Integral em Contexto de Crise: caminhos para a transformação de redes e escolas brasileiras, realizada pela Cidade Escola Aprendiz com apoio da Imaginable Futures. Iniciada em 2021, a pesquisa partiu de um amplo processo de escuta envolvendo escolas, redes de ensino e diferentes atores do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. Dessas escutas, começaram a ganhar forma algumas reflexões e hipóteses metodológicas que viriam a ser experimentadas em dois territórios brasileiros: Soledade (RS) e Conceição da Barra (ES).
Ao longo desse percurso, tornou-se cada vez mais evidente que muitos dos desafios enfrentados por escolas e redes de ensino não poderiam ser compreendidos nem enfrentados de forma isolada. Questões como exclusão escolar, racismo, violências, fragilização dos vínculos, desigualdades de aprendizagem e dificuldades de articulação entre políticas públicas revelaram-se expressões de sistemas complexos, produzidos pela interação entre múltiplos fatores sociais, econômicos, culturais e institucionais.
Essa compreensão levou à construção de uma abordagem orientada para a transformação sistêmica da educação. Mais do que responder a problemas específicos ou isolados, essa perspectiva busca identificar e transformar padrões, relações, práticas, estruturas e narrativas que sustentam os desafios educacionais ao longo do tempo.
“As Secretarias de Educação que abraçarem uma pesquisa-ação, seja de qual cidade for, vão entender que, a partir deste momento, terão outro olhar em relação à Educação do município. Essa formação chega para nos fortalecer, para entender melhor, para interferir e proteger os nossos estudantes, com diálogo e escuta ativa. É preciso avançar nessa Educação, mas nessa Educação antirracista e antissexista.” Sidneide Vidigal, ex-coordenadora da Comissão Permanente de Estudos Afro-Brasileiros (CEAFRO) de Conceição da Barra e atual coordenadora da Busca Ativa.
Esta plataforma reúne os principais aprendizados, ferramentas, metodologias e reflexões produzidos ao longo dessa trajetória de pesquisa-ação. Convidamos você a conhecer e explorar esse conjunto de referências, desejando que ele possa inspirar percursos coletivos de investigação e aprendizagem que contribuam para que cada escola, rede e território amplie sua capacidade de garantir, com equidade, o direito à educação integral de todas as crianças e adolescentes.