Atuação Sistêmica

Colaboração entre as organizações educativas

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A Educação Integral Antirracista propõe um novo modo de compreender o sistema educacional e suas relações internas e externas. A colaboração entre as organizações educativas também é, nessa concepção, um dos eixos estruturantes.

Historicamente, a gestão da Educação no Brasil consolidou-se em torno de relações hierárquicas entre Secretarias e escolas, marcadas por prescrição, subordinação e controle. As unidades escolares, muitas vezes, são vistas como executoras de políticas definidas à distância, e não como autoras de seus próprios projetos educativos. Do mesmo modo, a relação entre escolas de um mesmo sistema de ensino é ainda incipiente, com poucos espaços de colaboração horizontal ou de formação compartilhada. Soma-se a isso a fragilidade das conexões com outras organizações educativas não escolares – centros culturais, coletivos comunitários, associações de bairro, instituições de ensino superior, grupos de juventude ou equipamentos públicos – que coexistem nos mesmos territórios, mas raramente são reconhecidos como parceiros legítimos do processo educativo.

O desafio, portanto, é reconstruir o tecido colaborativo da Educação pública, criando um sistema que funcione como rede viva de aprendizagem e corresponsabilidade. Para isso, é preciso deslocar a compreensão da escola isolada e da Secretaria como órgão prescritivo, para uma concepção de sistema interdependente e territorializado, em que as políticas, as práticas e as aprendizagens se alimentam mutuamente entre os diferentes níveis e atores e a Educação possa ser, efetivamente,
garantida para além dos muros da escola.

Essa transformação tem também como fundamento a noção de Território Educativo: “o Território Educativo remete a uma concepção abrangente de Educação, em que o processo educativo confunde-se com um processo amplo e multiforme de socialização. O território é assunto, conteúdo do currículo, é o lugar onde se dão ações educativas e também é um agente”.1 Assim, o território não é apenas o espaço físico onde a escola está situada, mas o ambiente social, cultural, histórico e afetivo que educa e é educado.

Compreender o território como agente educativo permite repensar as relações interinstitucionais e pedagógicas que compõem o sistema: a Secretaria como articuladora e mediadora de processos e políticas educacionais, as escolas como comunidades de criação e cuidado para a gestão escolar cotidiana, e as demais organizações do território como parceiras no desenvolvimento integral das pessoas e na construção de uma Educação pública emancipadora.

1 Para mais informações, acesse: https://educacaointegral.org.br/glossario/
territorio-educativo/
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