A singularidade é uma das premissas fundamentais de uma Educação Integral Antirracista. Nessa concepção, o reconhecimento das singularidades das pessoas e suas experiências é uma das sustentações do projeto educativo.
É certo que, como nos constituímos seres em relação (com as outras pessoas, nas situações em que vivemos, com o espaço etc.), não somos nada “em essência” ou a priori. Mas é inegável que a instituição escolar estabelece padrões de desenvolvimento e que tem nutrido, a partir deles, expectativas homogeneizadoras em relação a crianças, adolescentes, jovens e adultos em formação.
Por vezes, tais padrões e expectativas são anunciados e formalizados nos currículos escolares e em avaliações padronizadas, concebidas, inclusive, fora da escola. Outras, são forjados culturalmente, quase como acordos tácitos, e nem sempre trazidos à consciência. É o caso das relações estabelecidas com estudantes moldadas por crenças racistas e machistas, por exemplo. “Os meninos não devem brincar de bonecas, nem de casinha”, “as meninas não são boas em matemática ou ciências”, “vinda daquela família aquela criança não vai longe”, dentre muitas formas de dizer e atuar reproduzindo padrões ou preconceitos.
Assim, olhar por essa “lente” da singularidade nos leva a nos desvencilhar de vieses homogeneizadores que, sendo utilizados para o estabelecimento de relações de ensino e de aprendizagem, dificilmente produzirão aprendizagens significativas e construção de conhecimento.
O ciclo apresentado aqui é um convite à reflexão e atuação para o fortalecimento dessa escola que celebra as diferenças e faz dela o seu projeto.